sexta-feira, 22 de março de 2013
É possível fazer negócios num mundo sem água?
Como as outras megaforças da sustentabilidade, a questão hídrica apresenta grandes riscos, mas também oportunidades para as empresas.
Por Ricardo Zibas*
A escassez de água é um dos tópicos que têm atraído cada vez mais atenção nos debates da agenda corporativa dos últimos anos. Prevendo uma rápida extinção de fontes exploráveis, muitas empresas estão tomando medidas para utilizar de modo mais eficiente esse recurso vital.
Estudos demonstram que a demanda global por água doce excederá em 40% a oferta em torno de 2030, com implicações potencialmente calamitosas para a sociedade, o meio ambiente e os negócios. Quando comparada com o impacto das mudanças climáticas, teoricamente mais gradual e indireto (mas que recebe bem mais atenção), a escassez de água parece ser uma questão mais imediata e gerenciável.
Como as outras megaforças da sustentabilidade, a questão hídrica apresenta grandes riscos, mas também oportunidades para as empresas. Uma oferta de recursos decrescente pode significar desde a falta de insumos para a produção (agronegócio, alimentos, bebidas) até uma redução na capacidade de geração de energia, em específico num país com uma matriz como a nossa, baseada em hidrelétricas.
Além disso, existem também os impactos indiretos, mais difíceis de ser mensurados, e o endurecimento da matriz legal: cada vez mais, governos ao redor do mundo estão introduzindo regulamentações para disciplinar o acesso e o uso da água.
Por exemplo, o governo de Portugal introduziu, em 2008, uma “taxa da água” para os maiores usuários agrícolas e da indústria. Em maio de 2012, a China anunciou que irá adotar tributos mais elevados para os usuários intensivos de água e incentivar o reúso. As autoridades de Cingapura reviram as taxas cobradas para internalizar o real valor da escassez desse insumo, e assim por diante.
De maneira mais dramática, a escassez hídrica aumenta o conflito entre comunidades locais e empresas. Reputações foram perdidas e licenças de operação cassadas nessa disputa por recursos. Vemos casos de mineradoras no Peru, na Argentina e no Chile sendo impactadas por protestos das comunidades relacionados à água. Em um caso específico, a mineradora envolvida abriu mão de reservas estimadas em centenas de toneladas de ouro pela impossibilidade de se chegar a um acordo. Companhias de bebida na Índia têm enfrentado problemas semelhantes (com o fechamento de uma planta industrial), sem falar na histórica disputa entre siderúrgicas e plantadores de arroz.
Algumas organizações já reconheceram que é necessário mudar os seus modelos de operação para esse novo cenário, reduzindo os riscos de quebra na cadeia de fornecimento, cortando custos, vislumbrando futuras regulamentações e criando valor por meio da inovação de processos.
Em uma pesquisa recente que a KPMG realizou (“Sustainable Insight: Water Scarcity – A dive into global reporting trends”), vimos que 76% das 250 maiores companhias globais endereçam o assunto do uso da água em seus relatórios anuais de sustentabilidade. De forma pouco surpreendente, o assunto é mais tratado em países com falta crônica do recurso e de maneira superficial onde o mesmo é abundante. No caso brasileiro, podemos dizer que a questão está no radar, visto que 59% das 100 maiores empresas mencionam o assunto, o que nos coloca em quarto lugar no ranking global, atrás de Índia, Reino Unido e Espanha, mas na frente da Itália, Alemanha, Coreia do Sul, Austrália, Japão, Holanda, África do Sul, Estados Unidos, Canadá e China.
Entretanto, mesmo nos melhores relatórios, o tema ainda é marginal e uma constatação é especialmente preocupante: apenas uma em cada dez companhias (considerando as 250 maiores do mundo) informa que está adaptando o seu negócio a um futuro de escassez. Para os outros 90%, fica a impressão de que tudo deverá ficar como sempre foi. Só faltou combinar com o restante do planeta.
* Ricardo Zibas é gerente sênior da área de Mudanças Climáticas e Sustentabilidade da KPMG no Brasil.
20/3/2013
terça-feira, 12 de março de 2013
ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL
Por: Robson Santarém
É crescente o movimento pela ética e responsabilidade social
das empresas. Multiplicam-se os eventos nacionais e internacionais com o
objetivo de discutir conceitos, práticas e indicadores que possam
efetivamente definir uma empresa como empresa cidadã.
Diante do quadro de pobreza, dos sérios problemas
que vivemos em termos de educação, saúde, desemprego, violência e de
ações que destroem o nosso ecossistema, é bastante salutar que as
organizações assumam o seu papel social e contribuam eficazmente para o
desenvolvimento sustentável e melhoria da qualidade de vida no planeta. E
que através deste movimento e do exemplo dos seus líderes contribuam
para resgatar a ética no relacionamento humano e nos negócios.
Uma pesquisa realizada pela ADVB Associação dos
Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil, no ano passado, mostrou que
cada vez mais as empresas estão investindo em projetos sociais contando
com a participação dos seus funcionários. Revela ainda que 33 % de um
total de 810 empresas pesquisadas acreditam que tais ações têm
contribuído para melhorar a sua imagem junto aos consumidores e que 79 %
delas tem planos de investir em projetos no terceiro setor. O IBASE com
a bandeira do Balanço Social levantada por Betinho patrocina pesquisa
sobre ações sociais corporativas , a FIDES tem promovido regularmente o
fórum de balanço social, a ADCE tem contribuído com a realização de
seminários e reflexões sobre as dimensões da responsabilidade social,
tendo apoio da Câmara Americana e da ABRH Rio.
Percebemos, assim, uma tendência que começa a se
concretizar em fatos que nos enchem de esperança e otimismo. Surge uma
nova consciência nos dirigentes de empresas, nos profissionais que
prezam a ética em seus negócios e relações de trabalho e, sobretudo, nos
cidadãos que querem consumir com a certeza de que estão contribuindo
com uma boa causa.
Seja porque no coração do homem pulsa o desejo de
ser plenamente humano ou apenas por questões de sobrevivência, importa
que estamos caminhando para um novo modelo de gestão que tem a ética e a
responsabilidade social como fundamentos. E nesse caminho todos ganham,
a empresa, seus colaboradores e acionistas, clientes e fornecedores e a
comunidade onde está inserida.
Assim construiremos juntos a cidadania nas
organizações. Certamente há muito ainda que se investir no
desenvolvimento desses valores nas empresas, na reflexão e na elaboração
de um código de ética, na implantação voluntária do balanço social como
resultado de ações solidárias, na participação nos resultados, na
gestão participativa etc. Mas aos poucos já temos avançado.
É verdade que através de eventos e treinamentos as
empresas têm procurado influenciar e desenvolver seus colaboradores e
lideranças neste sentido. Entretanto, precisa-se colocar o ser cidadão
como requisito indispensável nos processos seletivos. A empresa cidadã
contrata cidadãos: profissionais que têm consciência da sua missão de
contribuir com os resultados da organização e fazer deste mundo um mundo
melhor.
Quando fomos contratados por uma loja de
departamentos para realizar a seleção de profissionais, tivemos a grata
surpresa ao sermos informados de que um dos requisitos básicos para
qualquer função era o espírito de solidariedade. Hoje o mercado sinaliza
um novo perfil de profissional: que seja orientado para resultados,
criativo, inovador, automotivado, multiskilled, ousado, etc. Tenho
certeza, porém, que o ser cidadão é que vai fazer a diferença. Afinal, a
empresa para ser considerada cidadã deverá ser constituída de cidadãos.
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